Bancadas reacendem embate sobre empréstimo após sanção de projeto

Em 16/09/2025
-A A+

Declarações da governadora Raquel Lyra sobre o tempo de tramitação do projeto que autorizou o empréstimo de R$ 1,5 bilhão de reais repercutiram no plenário da Alepe, nesta terça. Waldemar Borges, do MDB, rechaçou as falas da gestora de que o longo prazo para votação teria atrapalhado o povo pernambucano. Ele ressaltou que a Alepe já havia aprovado mais de R$ 9 bilhões em empréstimos e que, se as obras não andaram, foi por incompetência da gestão. O parlamentar acrescentou que o tempo para debater o projeto foi necessário. “A nossa primeira sugestão pretendia fazer com que os municípios pudessem se habilitar para acessar esse recurso sem precisar passar por esse tipo de crivo político-eleitoral que é o que está acontecendo em Pernambuco. Segunda sugestão nossa que também motivou reações da governadora, foi aquela que propunha instrumentos que garantissem a transparência, a fiscalização, a publicização dos empréstimos concedidos.”

Borges ainda criticou a governadora por subir em uma cadeira e usar um tom raivoso para comemorar a sanção do empréstimo o que, para ele, soou como uma provocação ao Poder Legislativo. Renato Antunes, do PL, contestou as críticas feitas a Raquel Lyra. E está preocupado porque uma mulher subiu numa cadeira, é brincadeira. Vamos olhar para a segurança, a saúde. Mas por que a governadora está discursando numa cadeira? Na verdade, ela está incomodando porque está entregando, porque está fazendo gestão com resultado, porque está transformando orçamento em obra.”

Socorro Pimentel, do União, lamentou a forma como Waldemar Borges se referiu à governadora. “Se a gente sobe o tom, somos raivosas, temos talvez um ímpeto maior do que os homens. Se a gente sobe em uma cadeira, porque está com um público que precisa nos visualizar – quantas vezes eu, nessa altura, já subi na cadeira lá no Sertão – talvez seja algo que vai ferir aí os dogmas dos deputados do mundo masculinizado da política. Talvez, deputado, fosse mais fácil a gente nevar o cabelo, fazer dancinhas de Tiktok.”

Edson Vieira, do União, Mário Ricardo, do Republicanos, Coronel Alberto Feitosa, do PL, Cayo Albino e Sileno Guedes, ambos do PSB, fizeram críticas ao que chamaram de ataque da governadora aos deputados. Para Guedes a gestão teve as oportunidades para fazer entregas à população. “O que o Governo do Estado está fazendo é terceirizar a incompetência. Nós estamos entrando aqui no terceiro ano de governo e a gente não encontra nenhuma ação que efetivamente demonstre o tamanho desse governo. Pelo contrário, o que nós encontramos é uma enorme ausência.”

Izaías Régis, do PSDB, celebrou a sanção do projeto e elogiou a gestão de Raquel Lyra. Ele ressaltou que os valores vão ajudar o Poder Executivo na realização de obras estruturantes.

Uma operação coordenada pelo Ministério da Integração contra captações irregulares de água no Projeto de Integração do Rio São Francisco, próximo a Floresta, no Sertão de Itaparica, foi abordada por Fabrizio Ferraz, do Solidariedade. Segundo o parlamentar, muitas pessoas teriam deixado de ser cadastradas. Estivemos conversando com integrantes da Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima) e do Governo Federal para que essa operação fosse suspensa em caráter temporário. Como o problema surgiu apenas por uma dificuldade de comunicação, percebemos que ele também facilmente poderia ser contornado. Estamos com uma equipe de colaboradores sanando as dúvidas dos usuários, bem como reorganizando e regularizando os cadastros.”

Edson Vieira, do União, comemorou a aprovação do projeto de autoria dele que concede a Toritama, no Agreste Setentrional, o título honorífico de Capital Pernambucana do Jeans. Ele ressaltou a importância do município, que é o segundo maior responsável pela produção no país.

João Paulo, do PT, enalteceu investimentos do Governo Lula em Pernambuco. O parlamentar citou a instalação da fábrica da Fiat em Goiana, na Mata Norte, e a Refinaria Abreu e Lima, na Região Metropolitana. Também destacou os programas sociais que retiraram milhares de pernambucanos da extrema pobreza.

Diogo Moraes, do PSDB, denunciou problemas com a merenda escolar na rede estadual. Ele relatou o alerta da Prefeitura de Carnaíba, no Sertão do Pajeú, a respeito de falhas na quantidade e qualidade dos alimentos. Segundo Moraes, o motivo seria a mudança na gestão da merenda, que está deixando de ser terceirizada e passando para o controle do Estado. “A mudança que deveria trazer mais eficiência e qualidade resultou em desabastecimento e incerteza para os estudantes. A desculpa da transição não pode ser um cheque em branco para a incompetência. Onde está a responsabilidade do Governo do Estado em garantir que essa transição não deixaria nossos alunos desamparados?”

O Plenário ainda rejeitou, por 25 votos a 8, o requerimento de Junior Matuto, do PRD, para a criação da Frente Parlamentar de Combate à Fake News. Deputados que votaram contra argumentaram que já existem instrumentos legais para lidar com crimes digitais. Para Renato Antunes, trata-se de uma tentativa disfarçada de vigiar a informação. É bem verdade que parece uma medida nobre. No meu ponto de vista, esconde uma ameaça direta à liberdade de expressão. Querem calar a verdade sob o pretexto de combater a mentira.

Na mesma linha, Pastor Júnior Tércio e Pastor Cleiton Collins, ambos do PP, afirmaram que a iniciativa teria motivações políticas e ideológicas. Já os parlamentares favoráveis enfatizaram que o objetivo é evitar que informações falsas se espalhem e assegurar a responsabilização, como ressaltou Waldemar Borges. O que a gente está tratando aqui é de disciplinar, de certa maneira, um novo canal de comunicação que a civilização humana inventou, que são as redes sociais, em que hoje circulam [informações] sem nenhum tipo de responsabilização.

Diogo Moraes, do PSDB, e Cayo Albino, do PSB, por sua vez, ressaltaram que a casa legislativa tem o dever de combater mentiras e garantir a integridade da informação.